terça-feira, 30 de novembro de 2010

Posso Errar?

Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi  num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver  que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem  shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um  (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer.
Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”.  Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes —  tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa  costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do  quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto  certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?
O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.
E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.
Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.
O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele
 responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios —  tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz  Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom.
 Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.


 Por Leila Ferreira

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Por que aceitamos que alguém nos trate mal?

Certa vez, disse a Lama Gangchen Rinpoche: "Desta vez quero olhar para a negatividade de frente. Não vou negá-la". Ele, então, me respondeu: "Olhar é bom, mas não a toque. É como quando você assiste ao noticiário na TV. Você vê a negatividade, mas não deixa que ela entre na sua casa. Você pode encarar a negatividade de frente, mas não deixe que ela entre na sua mente".
A maior parte das mensagens de nossa sociedade contém idéias destrutivas e negativas. Basta ligar a TV em qualquer noticiário para nos lembrarmos do quanto o mundo é perigoso. Na tentativa de tentarmos nos proteger das ameaças cotidianas, vamos nos tornando acuados ou até mesmo igualmente perversos ao ambiente hostil que frequentamos. Manter a mente limpa é um desafio que requer reflexão constante para não deixar as informações ou pontos de vista negativos de outras pessoas influenciarem nossa mente.
Lama Gangchen Rinpoche nos alerta: "Não devemos seguir professores negativos ou comprar informações negativas no supermercado dos pensamentos". Em outras palavras, Marie France Hirigoyen, autora do livro "Assédio Moral" (Ed. Bertrand Brasil) nos diria para reconhecermos as características dos comportamentos perversos para não nos deixar levar por eles.

No entanto, não é tão simples nem fácil reconhecer um comportamento perverso. Marie France esclarece: "Pequenos atos perversos são tão corriqueiros que parecem normais. Começam com uma simples falta de respeito, uma mentira ou uma manipulação. Não achamos isso insuportável, a menos que sejamos diretamente atingidos. Se o grupo social em que tais condutas aparecem não se manifesta, elas se transformam progressivamente em condutas perversas ostensivas, que têm consequências graves sobre a saúde psicológica das vítimas. Não tendo certeza de serem compreendidas, estas se calam e sofrem em silêncio". Uma vez em que aprendemos a olhar os maus tratos como algo aparentemente normal, e, portanto, teoricamente aceitável, nem pensamos que seja possível e saudável nos desvencilharmos destes maus tratos!
Afinal, por que aceitamos que alguém nos trate mal? Porque duvidamos de nossa própria sanidade mental. Neste sentido, saber de si, quer dizer, conhecer nossos potenciais, recursos e limitações é a base de nossa segurança interna.
Todos nós já sabemos que vivemos num mundo hostil, mas é preciso saber como não cair nas armadilhas da hostilidade alheia. Precisamos nos encorajar o tempo todo a não seguir a negatividade, especialmente se estivermos cercados dela. Assim como escreve Lama Gangchen Rinpoche, em seu livro "Ngelso Autocura Tântrica III" (Ed Gaia): "a única mensagem que recebemos dos outros é: 'Não me incomode'. Por isso, precisamos ter um forte refúgio interior, impenetrável às influências alheias".
Para melhor responder à questão "por que aceitamos que alguém nos trate mal?", vamos conhecer as artimanhas do comportamento de quem nos trata mal. Uma característica comum a todo comportamento perverso é impedir o outro de pensar, para que ele não tome consciência do seu processo de dominância - ele cria fragilidade a fim de impedir que o outro possa se defender.
Marie France Hirigoyen esclarece: "Entre casais, o movimento perverso instala-se quando o afetivo falha ou, então, quando existe uma proximidade excessivamente grande com o objeto amado. Excesso de proximidade pode dar medo e, exatamente por isso, o que vai ser objeto da maior violência é o que há de mais íntimo. Um indivíduo narcisista impõe seu domínio para controlar o outro, pois teme que, se o outro estiver demasiadamente próximo, possa vir a invadi-lo. Trata-se, portanto, de mantê-lo em uma relação de dependência, ou mesmo de propriedade, para comprovar a própria onipotência. O parceiro, mergulhado na dúvida e na culpa, não consegue reagir".
Por isso, aqui vai o primeiro conselho para impedir que alguém lhe faça mal: Não aceite críticas unilaterais. Ninguém é totalmente responsável por uma situação-problema. Portanto, não assuma a 'culpa' toda para si crendo que desta forma poderia aliviar a tensão presente.
Nestes momentos, nos ajuda lembrar que a origem do comportamento perverso está justamente no fato da pessoa não querer assumir a responsabilidade por seus atos. Portanto, ao assumir o que cabe ao outro, estamos nutrindo o seu comportamento hostil.
Outra artimanha do comportamento perverso consiste em recusar uma comunicação direta. Marie France Hirigoyen alerta: "O parceiro vê-se obrigado a fazer as perguntas e dar as respostas e, caminhando a descoberto, evidentemente comete erros que são captados pelo agressor para enfatizar a nulidade da vítima". Portanto, se você percebe que anda falando sozinho num relacionamento a dois, está na hora de parar e perguntar-se se vale a pena ajustar-se a tal comportamento. Pois ele é autodestrutivo.
A esta altura, já entendemos que quem nos trata mal não está receptivo a conversar, pois isso significaria o fim do conflito, o que o impediria de extravasar a sua agressão. Portanto, é importante levarmos em conta os custos e benefícios de tal relacionamento. Neste sentido, ao invés de lamentarmos "Me solta!", podemos nos dizer: "Eu te solto!". Para tanto, teremos que nos tornar conscientes tanto de nossas limitações quanto de nossos recursos para, passo a passo, nos soltarmos da crença de que estamos presos a uma posição sem saída. Ainda que os outros nos tratem mal, podemos nos tratar bem!
Na medida em que cultivamos uma certeza interna inabalável de não querermos mais nos envolvermos em relacionamentos destrutivos, desenvolvemos amor e gentileza - uma energia positiva interior impede que nossos inimigos ou seres malignos nos causem mal, pois precisariam apoiar-se em alguma negatividade nossa para isso.
Assim como aconselha Lama Gangchen Rinpoche; "A coisa mais importante do mundo é nunca abandonar nosso coração acolhedor, mesmo diante de uma ameaça de morte, pois esse é o nosso verdadeiro e eterno amigo".

Por Bel Cesar

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

À procura da felicidade - Dez passos que podem ajudar você a chegar lá

O ideal de felicidade pode ser bem relativo. Saúde, dinheiro, tempo livre, bons amigos, uma vida simples, experiências mais sofisticadas. Há quem fique tranquilo ao ler um livro, quem se satisfaça com as contas pagas. Há, também, o time que espera a boa oportunidade, seja ela qual for. Existem maneiras de encurtar o caminho?
Para o psicólogo e especialista pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Wallace Hetmanek dos Santos, alcançar a felicidade pode ser mais simples do que muita gente imagina. “Quando abrirmos mão de algumas de nossas crenças, de alguns mapas e formas de viver perceberemos o quão mais tranquila e prazerosa a vida pode se tornar. Este é o meu convite para sermos felizes, sejam bem-vindos”, diz ele.
Partindo dessa premissa, pedimos que o psicólogo enumerasse, em dez passos, o que pode fazer você, nós e o resto do mundo, mais feliz. Navegue pelas próximas páginas. Você pode se descobrir, repentinamente, feliz.
Viva com alegria
É o “fim” quando falamos de felicidade, porém é um “‘meio” também. Através dela podemos ir modificando o nosso padrão de emoções. Com treinamento cognitivo a vida pode repentinamente ficar mais leve e simples. A idéia é ir alterando o padrão de tristeza e pensamentos negativos e pessimistas sobre a vida e o futuro para maneiras mais alegres, divertidas e positivas.
Mantenha bons relacionamentos
A segunda etapa é se aproximar de pessoas através de sua forma de conduzir a vida. Não apenas os relacionamentos com amigos e colegas, que são fundamentais, mas também com a família, que tem uma importância ímpar. Por isso, sugiro que você vá retirando os véus dos segredos e experimente ser direto, respeitoso e carinhoso, mesmo em situações difíceis. A vida amorosa e profissional tem um papel importante para o equilíbrio e a FELICIDADE, assim como um bom relacionamento consigo mesmo, isso mesmo, atenção, cuidado e carinho contigo, se cuide e proteja-se.
Mantenha o bom humor
Muitas pessoas se queixam comigo e me perguntam como podem manter-se serenos ou bem humorados diante de situações provocadoras, tristes ou extremas. A resposta não é complexa, contudo, requer um pouco de treinamento, repetição e carinho, como a maioria das coisas novas e difíceis que nos lançamos a fazer. O segredo aqui é manter-se centrado, buscar ajuda, apoio e expressar suas emoções.
Adaptação
Na busca pela felicidade é indispensável se adaptar a novos contextos, para viver “apesar de” em diversos momentos. Por exemplo, diante de uma perda por morte de uma pessoa querida, a aposentadoria para outros ou saída dos filhos de casa para alguns. Perceba, já discutimos algumas das respostas e mesmo assim talvez você possa estar se questionando de como fazê-lo. Por isso, vamos lá, mais especificamente, você pode lidar através de apoio, respeito contigo e com o seu tempo de elaboração do seu medo, seja assimilando novas formas de conduzir o cotidiano ou acomodando estratégias antigas.
Não se culpe
Este tópico talvez seja o mais importante dos 10, ele está presente aqui para te lembrar de reduzir a culpa e aumentar o seu grau de responsabilidade sobre suas decisões. Para quem considera que entende a diferença ainda assim vale uma reflexão, para que tenha tranquilidade em lidar com a adversidade, sem procurar culpados ou vilões, resolvendo e protegendo a si e a quem você ama. Perceba que se trata de cuidar da saúde do corpo, da mente e do bolso também.
Esqueça as mágoas
É comum encontrar pessoas que me dizem que têm dificuldade em perdoar e se tranquilizar com relação a uma pessoa que lhe feriu. Deixe-me explicar de forma simples, na maior parte do tempo, quem sofre com mágoa e ressentimento é a pessoa que cultiva em si estes sentimentos, e não o vilão da historia. Vale lembrar que somos todos atores de nossa história por mais que desejemos apontar o dedo e culpar o outro. Lembra-se da redução de culpa e a falta de sentido em procurar culpados, que vimos no tópico anterior? Se mesmo assim você ainda está pensando numa situação que não tem “por que” pensar de maneira diferente, relaxe e pense qual é a sua responsabilidade daqui para frente consigo e de que forma esta situação afeta seu humor e seus relacionamentos.
Invista tempo, energia e dinheiro para se conhecer melhor
Aproveite a capacidade do ser humano de se rever e ser mais feliz, para se conhecer melhor e diminuir as áreas das quais não percebe sobre você mesmo. Seja com a ajuda de um profissional, ou através de conversas com pessoas queridas, com um livro, na internet, dentre muitas outras formas.
Brinde suas conquistas
Comemore, brinque, pule, dance. Se não “puder” ou quiser fazer, faça assim mesmo. Este é um treino básico e fundamental de ampliar o prazer com a vida. 
Organize-se
Muitas vezes o nosso mundo interno se reflete no mundo externo e vice e versa. O crucial da organização é reduzir o tempo de queixa e críticas, para aumentar a responsabilidade com seu prazer e bem estar. A limpeza ajuda muito par a renovação da energia vital, tal qual a água da chuva alimenta e faz crescer plantações.
Descomplique
Esqueça alguns dos “dramas” e facilite a resolução de coisas e situações para você e para os outros. Se tiver dificuldade em fazer algo que deseja, vá lá e faça, se estiver difícil procure apoio dos outros e de você mesmo. Treine dizer: Eu consigo; Eu posso, e; Eu mereço... (completando a frase com o seu desejo). Verifiquem que essas frases simples fazem toda a diferença para reduzir os seus medos, inquietações para realizar e conquistar algo, se não ajudar muito, utilize as frase para a sensação esquisita que sente ao fazer este treino. Como exemplo, se ao pensar em algo que deseja e usar as frases você pensou: “Você é uma besta ou bobo demais para acreditar nisso”, experimente dizer: “Eu mereço me sentir bem e confortável conquistando o que eu desejo”.